quarta-feira, 11 de julho de 2007

na lisboa em que vivo

na lisboa em que vivo presto-me nos últimos meses a cuidar só do que não é meu. não cuido dos afectos não cuido do cão não cuido das plantas que moribundam no quintal não cuido do mar que me espera não cuido do que não espera por mim. não cuido das costas que me doem que se farta não cuido do corpo que não se fortalece para suportar as costas que não me aguentam em pé não cuido de andar nem de nadar. não cuido da fruta dos legumes e da água. cuido do trabalho que é para todos fora de mim e nem a todos interessa. cuido a escrita sem cuidar as palavras de mim. cuido do prazer dos cigarros como nunca cuidei sendo que este nunca é sempre relativo já se sabe. e estou a esmorecer. não é nada em concreto. não é um mal de que padeço. é uma forma de estar. de levar até aos limites do intolerável. para depois renascer. e vistas bem as coisas nem é tão mau assim. renascer é bom e já estou a começar a sentir... não sentem?

1 comentário:

leprechaun disse...

renascer é bom. o parto é que é por vezes doloroso... e a espera?