quarta-feira, 16 de abril de 2008

o barulho da sirene

passa uma ambulância; na última semana senti vários mortos, mas houve um nascimento. dois a um, ainda assim. e as mazelas do corpo ora se expõem ora se guardam para mais tarde. tenho de ir ao médico por causa de algumas. quero umas drogas leves e que façam efeito nelas. sei que a dor faz parte da vida, mas se poder aliviar algumas, óptimo.
mas adio a(s) consulta(s) por causa do trabalho. a tradução não me dá espaço para mais do que dormir, comer, ler as maiores do jornal e fazer pequenos intervalos para escrever umas coisas soltas ou falar com a g. pequenos momentos de distanciação da coisa. traduzir é um esforço intelectual tremendo, um risco ético. angustia-me e dá-me vida, funciona como uma alavanca, um impulso para ser melhor, para fazer melhor.
até que uma ambulância um dia pare à minha porta e depois passe por outros lugares.

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